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Atualização do IBOV – O fundo tem porão!

O movimento do IBOV nas últimas duas semanas de outubro foi um grande ensinamento para os amantes do mercado de renda variável. Não existem certezas, e sim probabilidades!

Após mais de quatro meses de correção, de junho a setembro, o índice brasileiro estava pronto para voltar a subir: gráficos diário e semanal alinhados, bolsa nacional negociando a 8x lucros (muito barata, segundo os analistas fundamentalistas) e bolsas americanas retomando a trajetória de alta.

Tudo pronto. Só que não. Esquecemos de combinar com os russos (no caso, os nossos “ilustres” governantes). As peripécias e as mazelas de Brasília (executivo e legislativo), especialmente em relação às incertezas do futuro fiscal do país, arrasaram os ativos de risco na segunda quinzena de outubro: bolsa despencou, juros futuros explodiram e o dólar subiu.

Um banho de sangue. A B3 perdeu mais de 330 bilhões em valor de mercado, somente em outubro, e mais de 700 bilhões no ano de 2021, segundo dados da Economática.

É interessante o nosso poder de criar as nossas próprias covas. E para agravar o cenário, a inflação continua nos assombrando e o BC resolveu acelerar a alta da Selic (antes tarde do que nunca). Que fase!

Moral da história: a renda fixa está cada vez mais atrativa. Voltamos a ser o paraíso dos rentistas! A mensagem que vem de Brasília é mais ou menos a seguinte: que se dane o crescimento do PIB e a geração de emprego e renda. Emprestem seu dinheiro ao governo para financiar a farra dos gastos públicos. Lamentável!

O que fazer?

O IBOV terminou o mês de outubro em 103.500 pontos. E tudo indica que fará novos fundos, pois o forte suporte entre 105 e 107 mil pontos foi perdido. Obviamente, dias de suspiro ocorrerão, mas, graficamente, ainda não temos sinais de fundo. Próximos suportes: 100 mil e 93 mil pontos. Esse último muito relevante.

Apesar da bolsa brasileira continuar muito barata (fundamentos), ainda não há indícios de que tenhamos chegado ao porão. Está barata e o pode ficar muito mais barata. A leitura atual é essa. A única esperança é a sazonalidade, fim de ano, que usualmente favorece os movimentos de alta.

Pensando num prazo maior (acima de 24 a 36 meses), os preços atuais são muito convidativos. Porém, se você optar por comprar, compre aos poucos. E mais. É preciso selecionar os melhores ativos, de preferência empresas sólidas e com bom fluxo de caixa no presente, e sem endividamentos. Evite empresas muito endividadas e com fluxo de caixa lá no futuro.

Mantenha um bom caixa (títulos pós-fixados) na sua carteira. O rendimento atual está bom (7,75% ao ano, e deverá aumentar nos próximos meses), e melhores oportunidades poderão surgir no futuro.

As taxas dos títulos públicos estão muito atraentes. Acredito que seja uma boa oportunidade para você aumentar a posição em títulos atrelados à inflação (Tesouro Inflação) e nos títulos prefixados (que estão pagando mais de 12% ao ano). Sugiro também que você compre aos poucos, pois as taxas poderão ficar ainda mais atrativas. E lembre-se de que os prefixados apresentam maior risco do que os demais títulos.

Mantenha em carteira ativos com exposição ao dólar (ativos dolarizados) e aos materiais básicos (as commodities deverão continuar em alta). De uma maneira geral, esses ativos visam proteger parte da nossa carteira.

O ouro continua estável no mercado internacional, cotado entre 1700 e 1900 dólares a onça. Uma eventual crise mundial poderá renovar as máximas do metal. Sugiro manter em portfólio uma pequena parcela.

Por último, gostaria de comentar com vocês que já passei por várias e várias situações como essa no mercado de ações, onde o pessimismo generalizado toma conta dos investidores e não há sinais de esperança. É assim mesmo: uma sensação de que tudo virará pó. Todavia, de repente, algo de novo acontece, fora do radar, e o humor do mercado muda. E muitas vezes as recuperações são muito rápidas e marcantes. Só não sabemos quando isso acontecerá.

O mercado é quase sempre maníaco-depressivo, e irritantemente resiliente. No momento atual, só nos resta a paciência e a perseverança. E saber que nenhuma tendência é infinita. O mercado sempre vive de ciclos. E isso nunca mudará. A história nos garante isso.

Bons investimentos!

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos. E mais. O investimento no mercado de renda variável pode gerar prejuízos.

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