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Ideias de investimentos para enfrentar o ano de 2022

2022 não será um ano fácil. E 2021 já foi muito complicado para o investidor local. Quase todos os ativos no Brasil se desvalorizaram. Até os títulos pós-fixados perderam da inflação.

Apesar do pior da pandemia ter ficado pra trás, o cenário político-econômico no país está cada vez mais árduo. Inflação em alta. Desconfiança com o quadro fiscal do governo federal. E a recuperação econômica em passos de tartaruga. Poderíamos estar numa situação muito melhor, mas o Brasil é muito pródigo em criar suas próprias dificuldades.

Num cenário de juros baixos mundo afora e alta liquidez, conseguimos ficar fora da “festa” em 2021 – as bolsas americanas bateram recordes. A B3 teve uma das piores performances mundiais. Quase 12% de queda.

E mais. O real continua muito desvalorizado e os juros básicos subiram fortemente no Brasil para tentar segurar o resiliente processo inflacionário.

É bom frisar que a inflação no pós-Covid não é um fenômeno isolado no Brasil, pois ela está em alta no mundo inteiro, em virtude da baixa produção no período da pandemia, da forte alta das commodities e de outros insumos, e por último, pelo aumento da demanda após os meses mais críticos do coronavírus.

Para o ano de 2022, a inflação deverá ceder um pouco no Brasil ou no mínimo desacelerar. A Taxa Selic deverá chegar a dois dígitos em 2022, talvez entre 10 a 12% ao ano, e depois começar a cair no segundo semestre de 2022 ou no começo de 2023. Essa é a minha expectativa.

Já o dólar americano sempre é muito difícil de se prever, mas no atual patamar (R$ 5,60), não vejo muito espaço para grandes disparadas, a não ser que o cenário econômico piore muito. Por outro lado, também não vejo um cenário de forte apreciação do real.

A bolsa brasileira está muito barata. Isso é fato. O IBOV está sendo negociado a cerca de 7x lucros, o menor patamar dos últimos 15 anos. Muitos analistas acreditam que o possível cenário caótico de 2022 já esteja nos preços. Eu tenho minhas dúvidas. Talvez o IBOV fique ainda mais barato antes de voltar a subir (atualmente em 105 mil pontos; existe a possibilidade real que o IBOV perca os 100 mil pontos e busque o patamar dos 93 mil pontos). Todavia, pensando no longo prazo, o momento atual é muito interessante para comprar bons negócios, isto é, boas companhias. Mas é preciso ser muito seletivo.

Após essas breves considerações, fica claro que a diversificação da sua carteira de investimentos é mandatória. Veja a minha opinião sobre os principais ativos.

  1. Títulos pós-fixados (Tesouro Selic, Fundo DI ou CDB pós-fixado com liquidez diária – importante rendendo pelo menos 100% do DI). Mantenha de 10 a 25% em caixa, ou seja, aplicado nesses ativos – baixo risco e liquidez imediata. Você garantirá sua reserva de emergência e ainda terá um dinheiro disponível para oportunidades que surgirem em outros ativos no decorrer do ano.
  2. Tesouro Prefixado. Os juros atuais são interessantes, mais de 11% ao ano, porém evite títulos muito longos: opte pelo vencimento em 2024 ou 2026, que são menos sensíveis se a Selic subir muito. Importante: se a crise piorar os juros futuros podem disparar e o valor desses títulos desabar. Por isso, aprecie com moderação!
  3. Tesouro Inflação. Aumente suas posições, especialmente em títulos mais longos (2035, por exemplo), garantindo um rendimento de 5% acima da inflação, isto é, ganho real. Sempre é bom lembrar que esses títulos são os melhores para a sua aposentadoria. O rendimento negativo em 2021 poderá ser compensado nos próximos anos, pois o ciclo de alta da Selic deverá ser finalizado em 2022.
  4. Bolsa de valores. Acredito que seja o momento de aumentar as posições, aos poucos, sem querer acertar o fundo, e sem exageros. Faça aportes mensais e procure por boas companhias. E diversifique sua carteira. Muitos analistas acreditam que o bom momento dos materiais básicos e commodities deve continuar, e que podem ter um desempenho acima do IBOV. Assim, um ETF pode te ajudar nessa premissa: o MATB11. Outros analistas acreditam que após a tempestade de 2021, onde as pequenas empresas foram “dizimadas”, as Small Caps possam ter um desempenho relativo melhor do que as grandes empresas. Um ETF interessante nesse intuito é o SMAL11.
  5. Dólar. Mantenha posição para proteger sua carteira, talvez entre 5 e 10%. Mais uma vez, não acredito numa supervalorização da moeda americana em 2022, mesmo com os desafios eleitorais. Mas, se você tem mais receio do que eu, aplique um pouco mais. E mais. Pense em a abrir uma conta no exterior (é mais simples do que você pensa) e invista diretamente em ativos no mercado americano. Atualmente, para mim, a melhor maneira de aplicar em dólares é investir diretamente no mercado americano – daí você pode aumentar a fatia para 15 a 20% investindo nas empresas americanas. Mais uma vez, a seleção de ativos é fundamental – stock picking. Outra ótima opção é investir em BDRs de ações americanas na B3. Elas ficaram mais líquidas e acessíveis ao pequeno investidor.
  6. Ouro. Aplique entre 2 a 5% do patrimônio nesse ativo. Pode ser numa aplicação direta em ouro (OZ1D, OZ2D, Fundos) ou, indiretamente, através de ações de mineradoras de ouro. Gosto muito dessa segunda opção.
  7. Fundos imobiliários. Estão muito descontados em virtude da forte alta taxa de juros em 2021, e o setor ainda não se recuperou da pandemia. Vale a pena colocar de 5 a 10% nesses ativos, visando o ganho de capital e o recebimento de proventos mensais, isentos de imposto de renda para pessoas físicas.
  8. Criptomoedas. Tenho pouco conhecimento sobre o assunto, mas acompanhando vários especialistas, uma pequena parte do portfólio deve estar alocada aqui (alto potencial de valorização, mesmo com muita volatilidade). Recomendo no máximo 1% da carteira (alto risco).

O próprio investidor precisa tomar a decisão de balancear e diversificar a carteira de investimentos, baseada em seu perfil do investidor, no patrimônio acumulado, na idade e no nível de conhecimento do mercado financeiro.

Por último, uma novidade nos meus conteúdos publicados: o tema aqui retratado também está disponível numa videoaula no meu canal do Youtube, contendo muito mais informações. E ficou muito legal.

Link: https://youtu.be/4FzJYbfuCzc

Lá eu comento minha sugestão de portfólio para um perfil “moderado”. Confira!

Bons investimentos.

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos. E mais. O investimento no mercado de renda variável pode gerar prejuízos.

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