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Setor da construção civil – uma janela de oportunidade?

Apesar de não ser uma unanimidade entre os gestores e os analistas profissionais de ações (ainda bem, pois toda unanimidade usualmente é burra), o setor de construção civil é um dos destaques na B3 pelo potencial de valorização nos próximos 12 a 18 meses.

Um ponto muito importante: quando citamos um “setor” dentro da bolsa de valores, é preciso entender que existem várias empresas listadas e que, umas podem performar muito bem, outras não. É preciso separar o joio do trigo em qualquer setor da economia.

Um breve histórico.

Após o boom do setor imobiliário no Brasil na primeira década desse milênio, especialmente entre 2005 e 2010, esse segmento passou por momentos delicados nos anos seguintes. A recuperação atual teve início em 2016, de maneira lenta, e os preços das ações do setor atingiram o topo no pré-pandemia.

Passado o susto inicial avassalador da Covid-19 nos meses de março e abril de 2020, que derrubou os preços dos ativos de renda variável, as ações do setor começaram uma arrancada impressionante, contrariando as expectativas mais negativas.

Todavia o fôlego foi “sugado” na virada para 2021, basicamente por três motivos: a alta expressiva dos insumos da construção civil (aço, cimento, etc.), a explosão da segunda onda do Covid no Brasil (novas restrições) e a perspectiva de alta dos juros em virtude da forte aceleração da inflação.

Esses fatores determinaram que várias ações listadas na B3 perdessem mais de 40% do preço em relação à cotação do final de 2020 e, algumas, precisam se valorizar mais de 100% para voltar aos patamares pré-pandemia. Mais uma vez, não podemos generalizar, nem todas as empresas tiveram ou terão o mesmo desempenho.

E por que vários analistas estão otimistas com setor (e eu também)? Cito alguns pontos:

  1. A demanda no setor de construção civil continua muito intensa. Com as restrições sociais da pandemia, as pessoas passaram a valorizar ainda mais a casa própria, seja nas reformas estruturais dos imóveis, seja na aquisição de novas moradias.
  2. Atualmente, em geral, os estoques de imóveis prontos das empresas estão baixos.
  3. O déficit habitacional no Brasil continua gigantesco: cerca de 10 milhões de moradias.
  4. Muitos analistas acreditam que a forte valorização dos insumos tenha chegado ao pico, e possivelmente os preços vão recuar nos próximos meses, reduzindo os custos e aumentando a margem de lucro das empresas.
  5. A nova lei do distrato, que passou a vigorar a partir de 2019, favorece as incorporadoras e as pessoas que realmente estão interessadas em comprar o imóvel.
  6. Nesse momento temos uma menor alavancagem das construtoras, se comparado ao final do último ciclo de alta – menor endividamento ou empresas sem dívidas (dinheiro em caixa).
  7. Algumas empresas do setor aliam um grande potencial de crescimento com a distribuição concomitante de dividendos, um fato incomum em bolsa. 
  8. Mesmo com a alta recente da Taxa Selic (e ela deverá subir um pouco mais), os juros para financiamento continuarão abaixo da média histórica dos 20 últimos anos.
  9. Várias empresas do setor aprovaram um programa de recompra de ações no mercado secundário (bolsa), o que, em geral, mostra que, aos preços atuais, as ações estão muito atrativas.
  10. Para finalizar, cito uma constatação pessoal: na cidade em que eu moro, a quantidade de imóveis em construção (prédios residenciais) é impressionante. O que corrobora com o aquecimento do setor.

Portanto, sugiro que você analise as empresas listadas no setor de construção civil (Real Estate) na B3 e selecione algumas para “surfar” nesse potencial de valorização nos próximos meses. Use os indicadores fundamentalistas e, se possível, procure a ajuda de bons analistas independentes no intuito de montar uma boa carteira, contendo entre 3 e 5 empresas. A diversificação sempre é muito importante.

Riscos potenciais:

  1. Uma eventual crise financeira global poderá limitar os ganhos por aqui.
  2. O agravamento da crise política no Brasil também poderá atrapalhar, especialmente no próximo ano (eleições presidenciais).

Resumindo: acredito que vale a pena o investimento no setor, mas sem exageros.

Bons investimentos!

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